
Uma mudança importante no processo para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) pode estar próxima de se tornar realidade em Pernambuco. O governo federal divulgou o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, documento que passa a servir como recomendação nacional para os Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) e que propõe o fim da baliza como etapa eliminatória na prova prática.
De acordo com a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), responsável pela publicação do manual, o objetivo é tornar o processo de habilitação mais justo e padronizado em todo o país, além de alinhar os exames à realidade do trânsito brasileiro. A proposta prioriza a segurança viária, a percepção de riscos e a condução responsável, em vez de manobras excessivamente técnicas.
Pernambuco avalia adesão à mudança
A assessoria de comunicação do Detran de Pernambuco informou que o estado deve seguir a recomendação, mas a decisão final será debatida em reunião prevista para esta terça-feira (3). Caso seja confirmada, a baliza deixará de ser um fator eliminatório para os candidatos à CNH no estado.
Atualmente, 11 estados brasileiros já adotaram o novo modelo, total ou parcialmente. O Distrito Federal, por exemplo, não aplica a prova de baliza desde 2004. Mais recentemente, São Paulo, Sergipe, Amazonas, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul também eliminaram a exigência. No Mato Grosso, a transição ocorre de forma gradual até o dia 10 de fevereiro.
Estacionar continua sendo avaliado — mas de outra forma
A retirada da baliza não significa que o candidato deixará de ser avaliado quanto à capacidade de estacionar. Segundo o novo manual, o estacionamento passa a fazer parte do trajeto final da prova, em um ambiente real de circulação.
A ideia é verificar se o futuro condutor consegue parar o veículo com segurança, respeitando pedestres, sinalização e o fluxo da via, exatamente como ocorre no cotidiano do trânsito. A avaliação, portanto, deixa de focar em precisão milimétrica e passa a considerar a condução consciente e segura.
O documento também estabelece o chamado “Nível Normal de Demanda”, garantindo que as vagas de estacionamento tenham dimensões compatíveis com o tamanho do veículo, evitando situações artificiais que não refletem o uso comum das vias públicas.
Menos reprovação artificial, mais foco na segurança
Segundo a Senatran, a antiga exigência da baliza colocava candidatos iniciantes diante de manobras de alta complexidade geométrica em espaços reduzidos, o que elevava significativamente os índices de reprovação, sem impacto comprovado na redução de acidentes.
Além disso, erros na baliza — como tocar em cones ou ultrapassar o tempo limite — tinham o mesmo peso eliminatório que infrações graves, como avançar o sinal vermelho ou dirigir na contramão, o que foi considerado desproporcional.
Para o órgão, o estacionamento é realizado em baixa velocidade e apresenta menor risco a terceiros, reforçando a necessidade de uma avaliação mais condizente com a realidade do trânsito e com a formação segura de novos condutores.